Parashat Vayetsê

26 11 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Likutei Sichot tomo 3, página 789 do Rebbe MH”M.

Nossa parashá, Vayetsê, se inicia com a saída de Yakov para Charán, para a casa de seu tio Laván, o Arameu. Em seu caminho, Yakov parou em Beit E-l, lá rezou para D’us, deitou e dormiu — “E ali passou a noite” (Bereshit 28:11).

O Midrash comenta sobre isso: “Aqui deitou, mas durante os catorze anos que estava escondido na casa de Éver, não dormiu”. O Midrash ainda acresenta: “Os vinte anos que passou na casa de Laván, não dormiu”, como está escrito: “O sono me fugia dos olhos” (Bereshit 31:40).

Podemos entender porque Yakov não quis dormir durante seus catorze anos na yeshivá de Éver, para que aproveitasse cada momento estudando Torá; porém, por que não dormiu durante os vinte anos que passou trabalhando para seu tio Laván se lá Yakov se ocupou, aparentemente, de trabalhos físicos simples — pastorear rebanhos?

A ida de Yakov para Charán tinha um objetivo espiritual muito elevado. Em Charán, Yakov abriu caminho para suas gerações posteriores — santificando a vida material e revelando as faíscas Divinas escondidas lá. Por isso Yakov precisava estar sempre acordado e ficar “de guarda” perante Laván, o Arameu, que representava o completo oposto de Yakov.

Esta visão de vida contrária, Laván expressou quando disse: “Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é meu rebanho” (Bereshit 31:43). Ele exigiu domínio sobre duas áreas: a educação (“estas filhas são minhas filhas”) e os negócios profissionais (“este rebanho é meu rebanho”). Este argumento também escutamos através dos “herdeiros” espirtuais de Laván.

“Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos” — argumentou Laván. De qualquer forma, adultos pertencem a geração passada; mas as crianças crescem na época moderna e precisam evoluir com o tempo. Vocês querem ensinar a eles judaísmo? Por favor! Mas de forma “moderna”, combinando o judaísmo com a época atual. Assim eles crescerão e poderão agir decentemente no mundo.

“Este rebanho é meu rebanho” — exigiu Laván. Não me misturo na vida religiosa de vocês, mas quando o assunto são os negócios, nisso eu sou “expert”. Vocês devem abandonar os pensamentos de como se conduzir nos negócios de acordo com a Torá, com todos os detalhes e proibições. Assim é impossível de se conduzir com sucesso. Nos negócios, escute minha voz! — disse Laván, o Arameu.

Por isso Yakov não podia dormir enquanto estava em Charán. Ele precisava ter a certeza do domínio sobre estes dois assuntos acima: educação dos filhos e a ocupação com assuntos do mundo somente de acordo com a Torá. Ele precisava tomar cuidado para que Laván não se misturasse nestes assuntos.

E nisso falou Yakov para Laván: “Vinte anos permaneci em tua casa; catorze anos te servi (com autossacrifício) por tuas duas filhas [educação dos filhos] e seis anos por teu rebanho [como se conduzir nos negócios]” — me esforcei com toda minha alma para que a educação e o sustento viessem somente de acordo com a Torá.

Esta força Yakov deixou como herança para seus descendentes em todas as gerações: guardar com toda sua alma a educação dos seus filhos, para que sejam completamente sagrados e se conduzir em todos os assuntos relacionados à casa e ao sustento em um ambiente judaico e com santidade.

Shabat Shalom

Horário de acendimento das velas de Shabat para a cidade de São Paulo — 19:17h





Parashat Toldot

19 11 2009

A parashá desta semana nos conta sobre os três poços que Itzhak cavou. Os dois primeiros são chamados de Essek (discussão, conflito) e Sitna (oposição), já que seus inimigos contestaram Itzhak. Mas o terceiro poço foi chamado Rechovot (amplitude).

Se perguntarmos qual possível ligação esta história tem com os dias de hoje, o grande comentarista da Torá, Rabbi Moshé ben Nachman (Ramban) tem a resposta. Ele explica que os primeiros dois poços estão ligados aos dois Templos Sagrados que foram destruídos pelas discussões e oposições entre o povo judeu da época. Mas o terceiro poço corresponde ao terceiro Templo no qual D’us construirá através de Mashiach e que será eterno.

Mas, a princípio, parece não fazer sentido. Itzhak era um dos patriarcas fundadores do judaísmo. Mas, aparentemente, ao invés de realizar milagres e pregar novas doutrinas assim como fundadores de outras religiões o fizeram, estes poços estão entre suas maiores realizações. Isso foi o melhor que ele pôde fazer? Não somente isto, não parece estar tão clara a ligação entre os poços e os Templos. E mais ainda, D’us não é infinito? Como Ele caberia em um Templo?! D’us não deveria se revelar em algum tipo de fogo celestial ou algo mais impressionante? Por que uma “simples” construção?

Milagres e religiões não mudam muito no mundo. Milagres são facilmente esquecidos (como o dos judeus saindo do Egito) e religiões são, usualmente, focadas na vida após a morte que a vida copórea em si. E isso não era o que Itzhak queria. Ele não queria encontrar outra religião que enfatizasse o “paraíso” e negasse a terra.

Esta é razão pela qual ele cavou poços. Ele cavou na areia estéril até revelar água e transformar o deserto em uma terra fértil e habitável. E ele fez isso com o objetivo de nos ensinar que depende de nós transformar o mundo e “elevar” o plano físico para torná-lo mais alto que o paraíso.

Este também é o ponto dos Templos Sagrados. Não é muito incomum D’us se revelar em milagres e maravilhas; Ele está acima da natureza. Mas para D’us se revelar em uma casa física… isto é realmente impressionante. O Templo, assim como os poços, tem por objetivo transformar o mundo físico; revelar o Criador em Suas criaturas.

E Itzhak começou este trabalho, que será completado por Mashiach que, de acordo com o Rebbe, já está aqui e a qualquer momento trará o Templo Sagrado dos céus, reunirá todos os judeus em Israel e ensinará a toda a humanidade como servir ao Criador.

Mas tudo depende de nós…

Nós só precisamos cavar um pouco em nossos corações, abrir nossos olhos e colocar um fim nas discussões e oposições e revelar a amplitude para enfim trazer Mashich, breve e em nossos dias.

Shabat Shalom

Horário de acendimento das velas de Shabat para a cidade de São Paulo — 19:12hs





Parashat Chayê Sarah

12 11 2009

Na parashá desta semana, Chayê Sarah, nós aprendemos outra lição de vida de Avraham, o primeiro judeu. Nós lemos que “Avraham estava velho e avançado em dias”. Nossos sábios explicam que “velho” significa alguém que adquiriu muita sabedoria e autoperfeição (Tratado de Kidushin 32b) e “avançado em dias” alguém que aperfeiçoou o mundo ao seu redor todos os dias de sua vida (Zohar 1:224a).

Mas, a princípio, não podemos entender. Não seria suficiente a Torá ter dito somente que Avraham estava “avançado em dias”, ou seja, que ele havia aperfeiçoado o mundo ao seu redor? Assim entenderíamos automaticamente que ele atingiu a autoperfeição. Por exemplo, se dizemos que um doutor sempre cura seus pacientes, nós assumimos que ele sabe medicina. De modo semelhante, se Avraham pôde aperfeiçoar o mundo, entendemos de modo automático que ele se aperfeiçoou.

Então por que dizer que ele era “velho” e atingiu a autoperfeição?

“Avraham estava velho”: frequentemente o efeito que causamos nos outros é somente por sermos bons exemplos. Trabalhando consigo mesmo e se autoaperfeiçoando nós colocamos para fora nossas “boas vibrações” que podem afetar — positivamente — o mundo inteiro. Na verdade, devemos, também, estar “avançado em dias”: sair às ruas, se necessário, para, ativamente, trazer judeus de volta ao judaísmo e não-judeus às sete leis de Noé. Mas nunca devemos subestimar a impressão que causamos nas pessoas de modo incidente e sem nosso conhecimento.

Como o Rebbe disse em certa ocasião, as vezes, se uma pessoa somente um judeu usando tzitzit, isto pode mudar sua vida.
De fato, este é o modo de como Mashiach influenciará o mundo todo — seis bilhões de pessoas. A perfeição particular que ele trará aos judeus será “contagiosa” e transformará o mundo todo automaticamente e instantaneamente.

Shabat Shalom

Horário de acendimento das velas de Shabat para a cidade de São Paulo — 19:07hs





Parashat Vaierá

6 11 2009

A parashá desta semana, Vaierá, termina com a história da amarração de Yitzhak (ou sacrifício de Yitzhak) por seu pai Avraham. Surpreendentemente, esta estranha história de tentativa de assassinato instigada por uma voz celestial é uma das bases do judaísmo!

Não somente isto, mas a Torá não nos conta praticamente nada a respeito do judaísmo de Avraham, seus rituais, princípios ou crenças. Mas ela sim conta quase todos os detalhes sobre o sacrifício de Yitzhak. O que há de tão importante neste ato?

A Mishná (em Avot 5:3) nos conta que Avraham foi testado dez vezes por D’us. Mas apesar de o último e mais difícil teste ter sido o sacrificio de seu filho, o único chamado de “brit” (pacto) foi a circuncisão. A circuncisão enfatizou o propósito de todos os outros testes: a mudança da natureza humana, a remoção da “camada de pele espiritual” que cobre o coração e a ligação com D’us.

Esta é a essência do judaísmo. Mas em lugar algum esta essência foi mais necessária do que na amarração de Yitzhak. Não existe nenhuma história de mais sucesso que a do nascimento miraculoso de Yitzhak. Ele era a única pessoa do mundo capaz de continuar a mensagem de verdade que Avraham transmitia! Logo, quando D’us disse a Avraham para sacrificar seu filho, Ele estava realmente dizendo a Avraham para destruir com suas próprias mãos todo seu passado, presente e futuro e tudo o que havia feito até então.

Mas Avraham concordou com isso! Ele amarrou seu filho pois valorizava mais a verdade de D’us do que seu sucesso particular (obviamente, D’us, no final, prometeu sucesso também…). E essa é a essência do judaísmo: D’us é o Criador de todas as criaturas e nós devemos nos preocupar com o que Ele quer. E esta “essência” que possibilitou nos erguermos contra os piores testes durante praticamente dois mil anos de sacrifícios, perseguições e expulsões, crescendo e florescendo apesar (ou por causa) de tudo isto.

E esta devoção à verdade de D’us que trará Mashiach e a redenção final.

Este é o nosso trabalho hoje. O Rebbe de Lubavitch enfatizou inúmeras vezes: nós já tivemos testes e dificuldades suficientes; hoje nós devemos direcionar toda a devoção herdada de Avraham para fazer tudo o que pudermos para aperfeiçoar o mundo para a vinda de Mashiach. Apenas uma boa ação, fala ou pensamento pode pesar a balança para nosso lado e trazer Mashiach agora!

Shabat Shalom

Horário de acendimento das velas de Shabat para a cidade de São Paulo — 19:03h





Parashat Lech Lechá

29 10 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Likutei Sichot tomo 1, página 18 do  Rebbe MH”M.

Quando D’us informou ao patriarca Avraham que ele teria outro filho, Yitzhak, Avraham falou: “Oxalá Ishmael viva diante de Ti!” (Bereshit 17:18). Basta para mim, disse Avraham, que Ishmael (primogênito do patriarca) viva perante Ti e ande em Seus caminhos. Porém, D’us diz: “Não, (…) que (justamente) de Yitzhak será chamada a tua descendência” (Bereshit 21:12). Mas “sobre Ishmael, te escutei” (Bereshit 17:20), dele também terá satisfação, mas a verdadeira satisfação virá de Yitzhak.

O Midrash descreve Hagar, mãe de Ishmael, como uma mulher justa. Filha do Faraó, rei do Egito, abandonou o palácio real com autossacrifício para ser escrava na casa de Avraham. Seus atos foram tão perfeitos que se igualaram ao serviço do insenso do Beit Ha’Mikdash (e por isso foi chamada posteriormente de Keturá, já que insenso em hebraico é Ketoret). Desta forma, podemos entender que Hagar também educou seu filho Ishmael com este “espírito”. Por esta razão, Avraham esperava ter satisfação de Ishmael. Então por que D’us não concordou com isto e desejou justamente Yitzhak?

Podemos perceber duas diferenças aparentes entre Ishmael e Yitzhak: 1) O nascimento de Ishmael veio de modo natural, e Yitzhak através de um milagre — tanto é que Avraham teve dificuldade em acreditar que isto aconteceria. 2) O pacto entre Ishmael e D’us (a circuncisão) somente foi feita quando Ishmael tinha treze anos de idade, uma idade na qual já possuía discernimento intelectual; já Yitzhak foi circuncidado aos oito dias de vida, antes mesmo de entender o significado daquele ato.

Ishmael representa a natureza, os caminhos comuns do mundo. Mesmo quando cria-se uma ligação entre ele e D’us, ela vem através de um entendimento humano. Este é um tipo de ligação que depende das capacidades humanas de entendimento e conhecimento. Tudo isto é bom e belo, mas não se trata disto a existência de um judeu.

O povo judeu é um povo “sobrenatural” em sua essência. Também a ligação entre D’us e o povo não é limitada pela lógica e, por isso, o patriarca do povo judeu precisava vir através de um pacto acima da lógica e da capacidade de entendimento.

D’us não se satisfez com a ligação representada por Ishmael. Esta era uma ligação superficial, que vinha da educação recibida quando ainda era criança. E o que aconteceria caso esta educação não o obrigasse a se conectar com D’us? Em um caso destes o homem não se sentiria conectado com D’us.

Por isso D’us quis justamente Yitzhak. Ele representava a ligação acima da lógica, uma ligação “carimbada” na essência de cada um. Um judeu está ligado com D’us independentemente da educação que recebeu. Ele está ligado com D’us pelo simples fato de ser judeu. Mesmo que não tenha recebido uma educação judaica, no fundo de sua alma, o judeu está ligado com D’us como um pai está ligado ao filho.

Estas palavras contém uma lição eterna sobre a forma da educação judaica: o reconhecimento judaico não pode ser baseado no entendimento intelectual somente. Pressupondo que a criança escolherá por si própria, quando crescer, o caminho judaico, este será limitado e condensado e será dependende de condições variáveis, tornando-o instável.

O judaísmo está permeado de assuntos que independem do intelecto humano; coisas básicas e que estão enraizadas na essência de cada um, acima das perguntas e dúvidas lógicas. Assim, a geração judaica cresce ligada a D’us e ao judaísmo com autossacrifício, proporcionando aos seus pais satisafação material e espiritual.

Shabat Shalom

Horário de acendimento das velas de Shabat para a cidade de São Paulo — 18:58hs





Parashat Noach

22 10 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Likutei Sichot tomo 1, página 5 do  Rebbe MH”M.

As “águas tempestuosas” do dilúvio, com as quais D’us cobriu o mundo, se dividiram em dois tipos: as águas de baixo e as águas de cima.

No geral, o dilúvio também indica uma “chuva de preocupações” que, esporadicamente, nos cobre. Todos nós possuímos um “dilúvio” particular, que perturba nosso descanso e nos atrapalha no cumprimento de nossos objetivos e missões no mundo. Até mesmo este “dilúvio” é dividido em dois tipos: o primeiro — as “águas de baixo” — se refere às preocupações materiais e físicas, problemas com o sustento ou dificuldades diárias; o segundo — as “águas de cima” — se refere às preocupações com assuntos altos e elevados, como se ocupar com problemas da comunidade ou algo semelhante, nos quais mesmo estas ocupações dispersam o homem de seu objetivo no mundo — o estudo de Torá e o cumprimento de mitzvot  como se deve.

Sobre as preocupações materiais é razoavelmente fácil “passar por cima”, já que nos é claro que se tratam de preocupações negativas e que nos atrapalham no cumprimento de nossos reais objetivos. Porém, as preocupações com assuntos da comunidade podem nos enganar, pois, afinal, se tratam de assuntos bons e positivos. Como, mesmo assim, é possível diferenciar as preocupações que são de nossa obrigação daquelas que são somente “águas tempestuosas”?

Existe um modo fácil para percebermos a diferença entre estes dois assuntos: se estas preocupações, por mais importantes que sejam, afetam a conexão entre o judeu e D’us, impedindo-o de cumprir sua obrigação no estudo de Torá e cumprimento de mitzvot, o Shulchán Aruch (Código de Leis judaicas) determina que estas são somente “águas tempestuosas”.

E como nos salvamos destas “águas tempestuosas”? O caminho é idêntico ao modo pelo qual D’us salvou Noach (Noé) do dilúvio: “venha (…) à arca” (Bereshit 7:1). A palavra “arca”, como explica o Baál Shem Tov, significa, também, “palavra”. Ou seja, “venha à arca (ou ‘palavra’)” — entre nas letras da Torá e da reza, se envolva com as palavras e com as letras sagradas da Torá e elas serão uma “arca” que o salvará das preocupações do “dilúvio”.

Quando um judeu abre seus olhos pela manhã, se dirige a D’us e fala “Modê Aní Lefanecha…”, pronuncia as bençãos matinais e reza, ele deve “entrar” e refletir sobre o significado das palavras que está pronunciando. Quando o judeu estuda Torá, ele deve se esforçar para que a Torá também o ensine.

Quando o judeu se comporta deste modo, é fixado em sua alma o reconhecimento de que D’us conduz o mundo e supervisiona tudo o que acontece com ele. Então, o judeu entenderá que o caminho para o sucesso, tanto nos assuntos materiais quanto nos assuntos espirituais, será atingido através do cumprimento da vontade de D’us. Quando “entramos” nas palavras da Torá e das rezas e meditamos sobre elas, recebemos a força e a capacidade de superar as diversas preocupações das “águas tempestuosas”.

Porém a ordem “venha à arca” também pode enganar. Um judeu pode pensar que ele deve se fechar em sua “arca”, sozinho. Por isso, quando D’us dá a ordem “venha à arca”, Ele diz a Noach: “tu, teus filhos, tua esposa e as esposas de teus filhos” (Gênesis 6:18), com a intenção de que mais pessoas deveriam ser salvas.

Existe, aqui, uma lição eterna para todos nós: mesmo quando você está permeado com o conhecimento de que o verdadeiro objetivo é o de cumprir a vontade de D’us, ainda é colocada a obrigação de influenciar positivamente outros judeus para que, estes, alcancem um reconhecimento semelhante. Somente quando nos comportamos desta forma podemos atingir o nível de “Noach, um homem justo” (Gênesis 6:9).

Shabat Shalom





Shabat Bereshit

15 10 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Likutei Sichot tomo 1, página 1 do Rebbe MH”M.

Existe um famoso ditado dos Rebbeim de Chabad indicando que o Shabat Bereshit influencia o ano todo, que é: “Da forma em que o homem se coloca neste Shabat, assim será conduzido o ano todo”. E esta particularidade do Shabat Bereshit merece uma explicação: a princípio a festa de Shavuot, na qual nos foi dada a Torá, é uma data mais importante e, além disto, existem outras parashiot nas quais a Torá nos ordena mandamentos básicos de nossa religião e da vida de um judeu. Então, o que há de especial neste Shabat?

Nesta parashá está descrita a criação do Universo por D’us. Saber este fato e refletir sobre o seu significado é uma das pedras fundamentais do serviço à D’us durante o ano todo, já que quanto mais o judeu se concentra no sentido do Shabat Bereshit, mais fácil será para ele servir ao seu Criador.

A parashá abre com as palavras “No início, criou D’us os céus e a terra”. Nachmânides explica que a palavra “criatura” representa a formação de algo a partir do zero absoluto, ou seja, antes da criação do Universo não havia nenhuma existência, e, deste “nada”, D’us criou tudo.

Não somente isto, para que o mundo continue existindo e não volte ao zero absoluto como era no início, D’us precisa criar o mundo novamente a cada instante, exatamente como o fez na primeira vez.

O Alter Rebbe escreve no seu livro, o Tânia, a respeito do versículo: “Para sempre, ó D’us, Tua palavra está firme no céu” (Salmos 119:89) que por intermédio do dito Divino “que seja o firmamento” o mundo passou a existir. Se D’us parasse um instante de falar “que seja o firmamento”, tudo voltaria a sua origem, o zero absoluto.

O significado disto é que a existência do mundo depende da fala contínua de D’us, que o mundo por si só não possui existência e, em sua essência verdadeira, ele não passa do “nada completo”.

Agora podemos entender o que o Shabat Bereshit possui de tão especial: durante nosso dia-a-dia nos deparamos com dificuldades e obstáculos, e precisamos combinar os princípios da Torá com a nossa realidade, nossas atividades e ocupações. Mas, as vezes, parecem haver contradições entre eles.

Fala a Torá: “No início, criou D’us os céus e a terra” — a existência do mundo depende dos dez ditos pelos quais
D’us criou o mundo, descritos na Torá que diz “Eu sou o Eterno, vosso D’us” e que nos dá os 613 mandamentos. Não é cabível uma contradição! É impossível que o mundo “atrapalhe” o cumprimento da Torá e das mitzvot!

Um judeu que vive sua vida permeado com este conhecimento não verá nos assuntos do mundo obstáculos que o impeçam de seguir a Torá. Ao contrário, também nos momentos nos quais ele está ocupado com seus assuntos particulares, como seu trabalho, ele deve pronunciar palavras de Torá e se ocupar com boas ações, conduzindo, assim, o resto do ano com sucesso material e espiritual.

Shabat Shalom





Simchát Torá

8 10 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Torat Menachem Ha’Yitvaaduiot de 5752 tomo 1, página 146 do Rebbe MH”M.

A festa de Simchát Torá é uma festa que destaca a participação das crianças e o quanto elas se sobressaem no povo. Neste dia único do ano, elas são chamadas à Torá, se alegram, dançam e participam exatamente como os adultos.

A alegria de Simchát Torá não é uma alegria ligada com o estudo da Torá em si, já que pelo nível de estudo existem, sim, diferenças entre adultos e crianças. A alegria desta festa é através das danças com o Sêfer Torá fechado e envolto em sua roupagem, e neste aspecto as crianças se igualam ao adultos.

Outro assunto enfatizado em Simchát Torá é o assunto da redenção futura. Como está escrito na liturgia conhecida de Simchát Torá “Alegramo-nos e rejubilemos em Simchát Torá (…) então virá Tzemach (um dos nomes de Mashiach) em Simchát Torá”. E como está explicado: Mashiach virá pelo mérito da alegria em Torá.

E neste ponto se unem duas coisas: o assunto de Mashiach e as crianças. Nossos sábios explicam que no versículo “Não toquem em meus Meshichai (ungidos)” a intenção é falar “Não toquem nas crianças das escolas de Torá”. O motivo de as crianças serem chamadas de Meshichai é que, como Rashi explica, “é costume ungir as crianças com óleo”, ou para expressar seu valor e sua importância, ou ainda, pela explicação mais simples: a palavra “Meshichai” vem da linguagem de Mashiach.

A ligação das crianças com a redenção está expressa em vários lugares. Nossos sábios falam que o Beit Ha’Mikdash só foi destruído pelo fato de os estudos das crianças terem sido interrompidos. Daqui aprendemos que através dos estudos de Torá das crianças virá a redenção.

Quando estas crianças dançam e se alegram com o Sêfer Torá em Simchát Torá como se fossem adultos, existe uma indireta em uma das previsões sobre a redenção – “Não mais um ensinará ao outro (…) pois todos Me conhecerão, dos pequenos aos grandes” (Yirmyiahu 31:33). Quando vier a redenção, os pequenos se igualarão aos grandes pela força da revelação Divina, e a alegria em Simchát Torá é o exemplo disto.

Com esta alegria recarregamos as baterias do serviço a D’us para todo o ano, um serviço com alegria dentro da esperança fervorosa pela redenção e com uma enfase especial para a educação das crianças do povo judeu. Esta alegria é uma preparação para a grande alegria que teremos com D’us “em pessoa”, como está escrito que “no futuro D’us fará festa com os tzadikim (homens justos)” – e eis que o povo judeu é composto somente por tzadikim – uma alegria na redenção futura e iminente.

Shabat Shalom e Chag Sameach





Chag Ha’Sucot

1 10 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Likutei Sichot tomo 29, página 354 do Rebbe MH”M.

Está explicado no livro do Zôhar (o principal livro de Cabalá), que durante os oito dias da festa de Sucot, nós recebemos visitantes ilustres, alguns dos justos do povo judeu: os patriarcas Avraham, Yitzhak e Yaacov; Moshé e Aharon; Yossef, e os reis David e Shlomó. A cada dia da festa, um destes visitantes é o visitante especial do dia, que traz consigo os outros sete. Assim, no primeiro dia, o visitante principal é o patriarca Avraham.

O patriarca Avraham se destaca por possuir uma capacidade maravilhosa para receber visitas. A Guemará aprende dele que é mais importante receber visitas do que receber a Shechiná (Presença Divina), já que Avraham “abandonou” D’us quando Ele veio visitar o patriarca após sua circuncisão, e correu para receber visitantes que batiam à porta. Se assim era antes do recebimento da Torá em relação a visitantes “que se curvavam ao pó em seus pés” (como está explicado que o pó da terra era uma das idolatrias da época), mais ainda depois do recebimento da Torá em relação aos visitantes filhos de Avraham, Yitzhak e Yaacov.

Este assunto de receber visitas expressa como deve ser nosso trabalho nos tempos de exílio. O povo judeu se encontra em um estado de “visitante”. Nossos sábios exemplificam o exílio como “os filhos que foram exilados da mesa de seu pai”, do lugar verdadeiro perto de nosso pai, D’us. Logo, nos tempos de exílio o judeu sente que aquele não é seu lugar e se vê como um “visitante” em um local que não o pertence.

Por que, então, D’us criou esta situação de exílio e “converteu” a todo o povo judeu em visitantes? A resposta é: devido à vantagem especial do serviço a D’us nos tempos do exílio. E esta vantagem é tão preciosa para D’us, que por causa dela Ele exilou seus filhos e os converteu em visitantes, uma explicação profunda do que nossos sábios disseram “que é mais importante receber visitas do que receber a Shechiná (Presença Divina)”.

Nossos sábios dizem: “D’us fez Tzedaká (justiça) ao espalhar o povo judeu entre os povos”. O objetivo do exílio e desta difusão do povo entre os povos não é um castigo, mas sim um ato de Tzedaká – um objetivo positivo. A vontade de D’us é que os judeus permeiem o mundo com santidade a fim de prepará-lo para se tornar uma “moradia para D’us nos mundos inferiores” nos tempos de exílio.

Assim fala o Baál Shem Tov (como está explicado que junto com os primeiros visitantes estão também oito visitantes chassídicos – Baál Shem Tov, Maguid de Mezrich, Alter Rebbe, Miteler Rebbe, Tzemach Tzédek, Rebbe Maharash, Rebbe Rashab e Friedeker Rebbe) sobre o versículo “D’us dirige os passos do homem” (Salmos 37:23): a cada lugar que um judeu vai, precisa lembrar-se que não foi por si só, mas sim conduzido por D’us a fim de preencher o local com santidade.

Está é a vantagem especial do serviço a D’us nos tempos de exílio, e justamente através disto teremos o mérito de alcançar o “recebimento da Shechiná” da forma mais completa como será na era da redenção, onde será revelada a honra de D’us com alegria e bom coração, que seja breve e em nossos dias.

Shabat Shalom e Chag Sameach

P.S. – A partir de sexta a noite (dia 2 de outubro) se inicia a festa de Sucot. Durante os dias da festa possuímos duas mitzvot: devemos fazer a benção sobre as quatro espécies (com excessão do Shabat) e comer na Sucá. Procure a sinagoga mais próxima e cumpra estas mitzvot tão importantes.

*IMPORTANTE: Devido aos dias de Sucot e Simchá Torá, não colocamos tefilin a partir de domingo (dia 4 de outubro) até o próximo domingo (dia 11), só voltando a colocá-lo na segunda subsequente (dia 12 de outubro).





Yom Kipur

24 09 2009

Baseado na Sichá retirada do livro Likutei Sichot tomo 4, página 1149 do Rebbe MH”M.

Quando o assunto de expiação dos pecados em Yom Kipur é tratado na Guemará, há uma discussão: os sábios falam que o dia de Yom Kipur só perdoa os pecados daqueles que se arrependem, mas Rabbi Yehuda discute e fala que tanto aqueles que fazem teshuvá (se arrependem) quanto os que não o fazem são perdoados em Yom Kipur, afirmando que “o próprio dia de Yom Kipur perdoa”.

Na prática, todos concordam que “o próprio dia de Yom Kipur perdoa”, mas, de acordo com a opinião de Rabbi Yehuda, a santidade de Yom Kipur é tão grande que perdoa até mesmo aqueles que não fizeram teshuvá, sendo, esta, uma opinião contrária à dos sábios que afirmam que a condição para que a pessoa seja perdoada é a teshuvá.

Isto exige uma explicação: o significado de expiação não é somente perdão e desculpas para D’us. Quando um judeu comete um pecado, ele causa um defeito e uma mancha em sua alma, sendo necessário corrigir este defeito e apagar a mancha. Como é possível que o defeito e a mancha sejam apagados através de um dia específico, o dia de Yom Kipur?

Aqui está expressa uma ligação profunda entre D’us e o povo judeu: uma conexão que é criada através do cumprimento das mitzvot e do recebimento do jugo dos céus. Acima disto, está a ligação que se expressa através da teshuvá. O que é a teshuvá? A teshuvá é comparada a um homem que remove de cima dele o jugo das mitzvot e, a princípio, sua ligação com D’us. Por que ele decide, de repente, voltar em teshuvá? Pois a teshuvá revela que, em sua essência, havia uma ligação com D’us até mesmo no momento em que transgrediu Sua vontade, e o ponto desta ligação interna é despertado para que ele volte e se religue com D’us.

Porém, até mesmo esta ligação, revelada através do processo de teshuvá, não é o final da história. A ligação pela teshuvá é limitada e varia de acordo com a força dela. Existe uma ligação mais profunda: a ligação essencial entre a alma de um judeu e D’us. A alma que possuímos dentro de nós é “uma parte do D’us acima mesmo” (Tania Cap. 2), e está sempre ligada e unida com sua fonte e raiz – D’us.

Esta ligação não recebe influência de nossos atos ou pecados. Ela se encontra em cada judeu e judeu na natureza de sua alma e nenhum pecado ou trangressão é capaz de atingí-la. Porém, durante todos os dias do ano ela está oculta nas profundezas do coração e o que se expressam, na verdade, são os níveis mais externos de nossa ligação com D’us, que dependem de nossos atos e decisões. Mas quando chega Yom Ha’Kipurim é revelada a ligação profunda e interna existente entre D’us e o povo judeu.

Esta é a explicação do conceito “o próprio dia de Yom Kipur perdoa”. Em Yom Kipur, quando nos é revelada esta ligação, são apagados, automaticamente, todos os defeitos e manchas de pecados em nossas almas (exceto àqueles que transgrediram o próprio dia de Yom Kipur e quebraram seu jejum!). Neste dia é revelado que cada judeu está ligado com D’us através de uma ligação impossível de ser rompida.

E esta revelação vem através da principal reza de Yom Kipur, a Neilá, que encerra todas as outras rezas de Yom Kipur. Então, D’us e o povo de Israel se trancam em uma audiência particular, onde nada pode atrapalhar esta união completa.

Que possamos presenciar ainda antes de Yom Kipur a vinda do tão aguardado Mashiach, que trará a redenção para o povo judeu.

Shabat Shalom e Shaná Tová